terça-feira, 22 de março de 2011

A verdadeira mídia independente.

*Nome verdadeiro: Clovis.

*Nome artístico: Clóvis Batebola.

*Cidade de origem: São Gonçalo – RJ (Papa Goiaba de carteirinha)

*Cidade que representa: São Pedro da Aldeia/RJ.

*Data de nascimento: 25/02/1980.

*Atividades: Designer Gráfico/MotionDesigner/Game Developer, militante do Partido dos Trabalhadores de São Pedro da Aldeia e do Movimento Negro/SPA.

*Site ou blog: BLOCODOCLOVIS.BLOGSPOT.COM/ ATELIERDOPIXEL.BLOGSPOST.COM/
UDKBRASIL.BLOGSPOT.COM

*Email: clovisbatebola@hotmail.com

-Vejamos a entrevista feita por Rodrigo Poeta com Clóvis Batebola:

1-Como nasceu o Batebola?

*BATABOLA: O Clovis Batebola nasceu da busca por uma identidade que me representasse e marcasse a minha posição na luta de classes. Uns usam valores de bons moços, grandes empreendedores ou líderes de renome (mesmo sabendo que a fama não vai além da Via Lagos). Preferi voltar as minhas raízes familiares e assumir a minha identidade como carioca, utilizando isso como valores e representação no meio social e político. Não é por coincidência que nasci nos dias de Carnaval, meu nome é ligado a personagens típicos do carnaval de rua, meu pai e meu avô também se chamavam Clovis. Durante minha infância e adolescência eu tive vergonha de meu nome por causa das zoações inevitáveis com Clovis Bornai, Clodovil, etc. Mas, com o tempo fui descobrindo a beleza de nossa sociedade e hoje agradeço muito aos meus pais pelo nome.

2-Qual sua visão sobre a cultura regional?

*BATEBOLA: A cultura Regional ela é rica, única e capaz de gerar grande impacto dentro das sociedades circunvizinhas. É recheada de especificidades que fazem essa colcha de retalhos se chamar Brasil. Nosso interior é tão rico em cultura que basta uma pequena volta para percebermos as diferentes formas do qual elas se manifestam, desde o trato de diferentes sociedades até suas manifestações culturais em festividades anuais. Desde o quilombola de São Mateus até o ator na praia, todos carregados de valores únicos e que devem ser super valorizados sempre. É verdadeiramente um CAOS ver prefeitos e secretários batendo cabeça com dinheiro público e não perceberem que o retorno político pode ser maior se valorizarem o artista local e seu público. Várias cidades fazem assim, quer seja na venda de sua imagem na imprensa ou nas festividades anuais. Muito triste saber que algumas práticas culturais estão desaparecendo na Região, como a Folia de Reis em Búzios. Segundo informou o Blog do Curinga de Búzios, a prática está praticamente extinta na cidade há 30 anos. Será que essa extinção tem alguma referência com a especulação imobiliária no balneário? Por que nenhum prefeito despertou interesse em revitalizar essa prática? Esses dias fui falar sobre igualdade racial em um debate escolar e me surpreendi ao ver que nenhum aluno sabia realmente o que era um Quilombo e muito menos qual a importância de seu reconhecimento. Há uma expectativa muito grande quanto à novela Cidade Jardim com relação à valorização da cultura local, o reconhecimento da periferia, a abertura de espaço para o negro no elenco (não como figurante, empregada doméstica ou porteiro) e minorias. Coisa que não é feita nas novelas das TVs abertas comandadas por publicitários.

3-Qual sua visão em relação à mídia?

*BATEBOLA: A mídia, como meio de embate e representação social, é extremamente eficaz e representa interesses que fogem ao longe o simples e romântico dever informativo. Principalmente quanto a sua participação nas sociedades interioranas. A mídia como veículo de comunicação isento de parcialidade não existe. Ela é eficaz dentro dos interesses comerciais de seus donos. Dentro de um contexto político e econômico em que as massas se encontram em apatia para com os movimentos sociais (atualmente criminalizados), partidos em geral (tanto que o PFL virou DEMOcratas para não levar consigo os valores de corrupção como se não fossem corruptos) e a militância de esquerda, a mídia serve aos interesses do capital e das elites. Haja visto o trato criminalizado que a mídia tem dado às centrais sindicais e aos movimentos de massa, como o MST e os movimentos de resgate da cultura negra. A mesma mídia nacional que louva as ações das massas revoltosas contra as ditaduras árabes (porque interessa aos americanos a queda desses regimes autoritários) faz cara de nojo quanto às ações dos trabalhadores rurais sem terra contra coronéis e latifúndio. Mais parcial e incoerente com o ponto de vista da justiça e democracia impossível. Na Região dos Lagos não fica diferente. Não é de hoje que as cidades são visitadas por forasteiros que criam jornais para bater nos governos no intuito de sangrar portarias e cavar anúncios.

Ou seja, a informação é mercadoria de negócio. Se fosse só objeto de debate político ou de disputa eleitoral, já seria um grande avanço. Pois saberíamos de que lado estão e quem defende. Mas, são meros abutres, loucos por descobrir escândalos na saúde, na educação ou seja lá onde for para vender denúncias aos prefeitos. A maioria dos jornais da Região são sustentados por prefeituras. O empresariado, em sua maioria, é fútil e emburrecido ao ponto de não crer na publicidade de seus estabelecimentos. Ou seja, não crêem nem na publicidade de seus próprios produtos ou serviços como forma de ampliar os lucros. A mídia na Região, com raríssimas exceções, são simples mercadores de notícias.

4-Qual sua análise em relação às entidades acadêmicas e culturais como ARTPOP e Tribal, das quais você recebeu convite para fazer parte?

*BATEBOLA: Primeiramente, quero deixar bem claro que, na atual conjuntura política, não acredito nos poderes executivos da Região dos Lagos como agentes capazes de gerir e perpetuar a cultura. Haja visto o desastre que tem sido o turismo nessas cidades. Eu acredito plenamente nos movimentos sociais como forma do povo se organizar e lutar pelos seus direitos. Das entidades citadas eu só fui convidado a integrar a ARTPOP pelo meu amigo Carlos Alberto. Da Tribal eu recebi convite para visitar. Confesso que não tenho participado e nem visitado por falta de horário disponível e por estar comprometido em outros projetos que me tomam muito tempo. Creio que entidades acadêmicas como ARTPOP e TRIBAL formam um princípio do qual a sociedade deve buscar como norte para a formação e defesa de suas raízes. Não creio que uma simples intervenção pública vá proteger e resgatar os laços culturais que nos fazem reconhecidos como um povo. Quem entende de artista é artista, políticos atualmente entendem de votos. Essa é a realidade triste que tem de ser encarada com maturidade pelos artistas da nossa Região. Somente entidades como a ArtePOP e a TRIBAL serão capazes de proteger a nossa glória cultural na Região dos Lagos. São artistas defendendo artistas e louvando a arte. Esse é o principio que deve ser seguido e perpetuado independente de quem está no poder. Essas entidades estão para a cultura como a militância de esquerda está para a política.

5-Vivemos em terra de coronéis? Explique.

Enquanto houver latifúndio haverá coronéis. Enquanto não houver Reforma Agrária haverá senhores feudais que manipulam e regem a sociedade com mãos fortes. Os interesses desses senhores é unicamente proteger e fazer crescer os seus bens. Terra no Brasil é sinônimo de poupança para o mercado de especulação imobiliária. Em vários países a burguesia entendeu que concentrar terras é ruim para seus negócios. O Brasil foi um dos únicos países onde não houve Reforma Agrária. Nem o Lula teve forças nessa coalizão para fazer a reforma agrária com uma só canetada e talvez, pela fragilização e dispersão da esquerda, nem Dilma terá. A Elite da Região dos Lagos foi construída vendendo terras em paraísos escondidos, como Búzios e Arraial do Cabo. Esses coronéis, pelo poderio financeiro (em alguns casos militar), possuem tentáculos em várias esferas. Possuem capatazes em escolas de grande potencial eleitoral, universidades, associações comunitárias e veículos de imprensa. Quanto menor a formação de blocos ideológicos e maior a dispersão da militância de esquerda melhor será para perpetuar o poderio e o patriarcado desses coronéis. Atualmente não vejo outra saída senão organizar a militância no debate de propostas em torno de candidaturas que representem nossos interesses como trabalhadores.

6-Como você analisa os Pontos de Cultura da Região?

*BATEBOLA: Os pontos de cultura são ações iniciadas pelo Governo Lula e perpetuadas pela Presidente Dilma responsáveis por proteger e difundir a cultura no Brasil. É um antigo sonho de Gilberto Gil que será ampliado no Governo Dilma. Na Região, assim como em vários municípios no Brasil, os pontos formam frentes de valorização da cultura e de suas especificidades. Vejo-os como ferramentas fundamentais para proteger e perpetuar a nossa cultura sem as velhas rédeas dos coronéis e dos revolucionários de portarias que impera nas prefeituras e nas secretarias aristocráticas. Acho que a Região merece mais pontos de cultura e mais verbas para ampliar os que já existem.

7-Todos possuem uma máscara? Explique.

*BATEBOLA: Os pontos de cultura não foram escolhidos a toa nem de maneira aleatória. É feito um edital e os projetos enviados pelos candidatos passam por grandes peneiras. Se eles foram escolhidos é porque são reconhecidos como agentes ativos dentro de suas sociedades. Há uma série de metas que devem ser cumpridas e a fiscalização é rigorosa. A maioria desses pontos de cultura, como o Tribal e Apanhei-te Cavaquinho, já funcionava muito antes do Governo Lula. Tem gente aí louvando a cultura na Região dos Lagos ha décadas e dificilmente pode-se dizer o contrário.

8-Carnaval é a sua bola? Explique.

*BATEBOLA: Não não. Srsrsr. Quem me dera fosse um Rafael Peçanha e pudesse falar do carnaval com propriedade. Eu amo o carnaval e sua representação na nossa sociedade. É uma festa que nos faz, como cariocas, únicos no Brasil e no mundo. O nosso carnaval é diferente dos demais carnavais em outros Estados porque carrega também em si belíssimos valores sociais e culturais. Mas, não sou crítico de carnaval e muito menos entendedor do assunto. Gosto da imagem social do qual ele representa nas diferentes áreas do Rio de Janeiro, desde a passarela da Sapucaí até a periferia da zona oeste com os blocos e as saídas clássicas dos Bate-bolas. Mas, a minha área é a militância e o ativismo.

9-Deixe uma mensagem para posterioridade.

*BATEBOLA: Primeiramente, quero agradecer o espaço que me foi dado pelo seu Blog. Incentivo a todos que estão lendo essa entrevista a criar um blog e fazer parte dessa rede de informação que está se formando na Região dos Lagos. Nos Blogs você tem voz garantida e seu espaço respeitado. Como a mídia convencional está comprometida financeiramente com quem tem dinheiro, seu conteúdo será sempre pautado por interesses de quem paga mais. Hoje os blogues estão pautando a imprensa local em várias questões, como a política, por exemplo. Crie um blog e faça parte de alguma rede social. Divulgue seu material no Twitter, no Facebook e Orkut. Temos uma comunidade no Facebook com quase 900 pessoas chamada Blogão dos Lagos, venha fazer parte. Quanto mais pessoas tendo espaço para divulgar suas opiniões melhor para o enriquecimento de idéias e propostas. Parabéns Rodrigo Poeta pela iniciativa e espero que mais pessoas tenham oportunidades como essa, não só em seu blog como também em tantos outros tidos como Campeões de visitas. Existem várias pessoas de enorme riqueza intelectual e cultural capazes de transcender a realidade caótica da Região dos Lagos e gerar grandes debates como o professor Serjão, o Engenheiro Luciano, professor Marcos Salaibe, Fábio Emecê, o Curinga de Búzios, Ricardo Cox, Facury, professor Luis do PT, Professor Chicão, Totonho, Jânio Mendes, Rafael Peçanha, entre outros. Quanto maior o debate de idéias, maior a possibilidade de evitar tragédias eleitorais.


Essas ações que darão vizibilidade a um conjunto de pessoas que pensem de forma diferente aos que estão nos poderes. Esse tipo de atitude do corajoso Rodrigo Poeta na foto ao lado de Milton Gonçalves, que farão que nossas ideias e posições fiquem conhecidas, ganhando notoriedade napopulação, e fazendo um debate diferente desses de corredores das prefeituras. Parabéns ao www.poesiarte.blogspot.com pela entrevista. Esse espaço também está aberto para você que deseja se colocar e não tem mídia a seu favor.

Momento do sentimento.

Das Cinzas

E foi assim que a fantasia
se acabou nas ruas, nos becos,
na avenida...

Tu, que pierrô foste,
imaginavas perder-te na embriaguez
da quarta-feira de cinzas...
Sonhaste com uma alegria
que jamais findaria.
Então, rompeste a avenida,
dançaste, sem colombina.
A ti, só te bastavam
confetes e serpentina.
Não tiveste o beijo nem o abraço
e, no compasso de um samba
sem rima, flutuaste num espaço
de suor, cerveja e prazer.

No fim, juntaste as tuas cinzas...

(Bernardete Ribeiro da Silva - àqueles que rompem limites no carnaval - Rio, 04/03/11)

segunda-feira, 21 de março de 2011

O povo não aguenta mais o descaso.

A deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) foi notificada nesta segunda-feira (21), por meio do "Diário Oficial da União", a apresentar defesa em 5 dias úteis à Câmara, no processo que investiga o recebimento de maço de dinheiro de Durval Barbosa, pivô do escândalo de corrupção que ficou conhecido como mensalão do DEM de Brasília.

A intimação saiu na publicação porque a parlamentar não foi encontrada por três vezes pela Corregedoria da Câmara.

Jaqueline Roriz foi flagrada em vídeo, ao lado do marido, Manoel Neto, recebendo um pacote de dinheiro. Ela alega que os recursos teriam custeado a campanha para deputada distrital, em 2006, e não teriam sido registrados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral.

Na primeira reunião do ano, o Conselho de Ética da Câmara recebeu no dia 16 de março representação para investigar a possível quebra de decoro parlamentar praticada por Roriz. O presidente do órgão, José Carlos Araújo (PDT-BA), deve escolher nesta semana o relator do caso. A partir de então, o Conselho terá 90 dias para analisar o processo.

A pena máxima prevista é a perda do mandato. Jaqueline também pode receber apenas uma advertência, afastamento temporário das funções ou ainda sofrer censura pública ou censura escrita.

Com a abertura do processo no Conselho, Roriz poderá até renunciar ao mandato, mas não escapará de ser investigada pelos deputados.

A representação que pede a cassação da deputada do Distrito Federal foi apresentada pelo PSOL. “Estou aqui para trazer uma representação contra a deputada federal Jaqueline Roriz, que mereceu confiança do povo de Brasília para exercer esse honroso mandato, mas que não ofereceu ao povo a oportunidade de saber o que ela negou com veemência, de uma suposta participação no esquema de corrupção de Brasília”, afirmou o líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ).

Alegando problemas de pressão, Jaqueline se licenciou na última segunda-feira das atividades da Câmara por cinco dias.

Até quando veremos esses casos em que as provas são contundentes, até palpáveis e a justiça fazendo um esforço descomunal para ajudar seus “amiguinhos”¿ Com prova incontestes como essas o mínimo e não o máximo que deveria acontecer com a parlamentar em questão, seria a perda do mandato.

A devolução do dinheiro desviado no crime da campanha eleitoral, e ainda a continuidade nas investigações, pois se existe esse crime, pode muito bem existir outros no mensalão do DEM.

sábado, 19 de março de 2011

Respeito é bom, e o povo brasileiro merece!

Com uma relação um pouco diferente da costumeira entre os dois países, a Presidente Dilma Rousseff, recebeu o Presidente dos estados Unidos da América.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, cobrou do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma reforma no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) que inclua uma cadeira permanente para a representação brasileira.

Em discurso no Palácio do Planalto, em Brasília, neste sábado (19), Dilma disse que uma "reforma fundamental" é necessária no principal organismo das Nações Unidas.

· Temos pleiteado a ampliação do Conselho de Segurança da ONU. Aqui não nos move o interesse da ocupação burocrática da representação. O que nos mobiliza é a certeza de que um mundo multilateral produzirá benefícios para a paz e a harmonia.

Dilma afirmou, ainda, que o Brasil assumiu o compromisso de trabalhar por um ambiente de paz na América do Sul e que isso reforça a necessidade de representação no organismo mais importante das Nações Unidas.

· O Brasil está empenhado na consolidação de um entorno de paz e segurança. Nesse ambiente é que devem frutificar as relações entre Brasil e Estados Unidos. Temos orgulho de viver em paz com nossos vizinhos há mais de um século.

A cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU é a maior aspiração da diplomacia brasileira nos últimos anos. O órgão toma as mais importantes decisões sobre conflitos e diplomacia no mundo - o exemplo mais recente é a aprovação de uma intervenção militar contra as forças de Muammar Gaddafi, na Líbia.

Atualmente, os membros permanentes, com poder de veto, são EUA, França, Rússia, China e Reino Unido. O Brasil possui um assento rotativo, com duração de dois anos. Isso significa que o país pode votar e se manifestar diante das decisões do organismo, mas que não tem poder de veto.

Na votação sobre a Líbia, o Brasil decidiu se abster - ao lado de Rússia, China, Índia e Alemanha - em vez de apoiar a medida, defendida por americanos, franceses e britânicos.

Com um país livre, podemos receber o Presidente Barack Obama, pois a relação que hoje se tem com os EUA, é de igual para igual, fato que não acontecia nos governos que antecederam ao do Presidente Luis Ignácio Lula da Silva. Hoje temos independência, somos sim um país livre, temos consciência que ainda está faltando muitas ações governamentais para distribuição de renda, inclusão dos menos favorecidos, ainda faltam as reformas política, tributária e outras iniciativas, mais o presidente norte americano, não vem aqui para dizer que temos de assinar a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), onde só os EUA, seriam grandemente beneficiados.

Parabéns a Presidente Dilma Rousseff, pela recepção e pelos pontos no cenário internacional. E você, o que acha dessa visita, em que ela pode ser benéfica para o Brasil? Dê sua opinião, ela é importante para o processo democratico do Brasil.

fonte: www.r7.com

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Revolta da Chibata

A Revolta da Chibata foi um importante movimento social ocorrido, no início do século XX, na cidade do Rio de Janeiro. Começou no dia 22 de novembro de 1910.

Neste período, os marinheiros brasileiros eram punidos com castigos físicos. As faltas graves eram punidas com 25 chibatadas (chicotadas). Esta situação gerou uma intensa revolta entre os marinheiros.

Motivos da revolta

O estopim da revolta ocorreu quando o marinheiro Marcelino Rodrigues foi castigado com 250 chibatadas, por ter ferido um colega da Marinha, dentro do encouraçado Minas Gerais. O navio de guerra

estava indo para o Rio de Janeiro e a punição, que ocorreu na presença dos outros marinheiros, desencadeou a revolta.

O mot
im se agravou e os revoltosos chegaram a matar o comandante do navio e mais três oficiais. Já na Baia da Guanabara, os revoltosos conseguiram o apoio dos marinheiros do encouraçado São Paulo. O clima ficou tenso e perigoso.

Luta e reivindicação

O líder da revolta, João Cândido (conhecido como o Almirante Negro), redigiu a carta reivin

dicando o fim dos castigos físicos, melhorias na alimentação e anistia para todos que participaram da revolta. Caso não fossem cumpridas as reivindicações, os revoltosos ameaçav

am bombardear a cidade do Rio de Janeiro (então capital do Brasil).

Nova revolta

Diante da grave situação, o presidente Hermes da Fonseca resolveu aceitar o ultimato dos revoltosos. Porém, após os marinheiros terem entregues as armas e embarcações, o presidente solicitou a expulsão de alguns revoltosos. A insatisfação retornou e, no começo de dezembro, os marinheiros fizeram outra revolta na Ilha das Cobras. Esta segunda revolta foi fortemente reprimida pelo governo, sendo que vários marinheiros foram presos em celas subterrâneas da Fortaleza da Ilha das Cobras. Neste local, onde as condições de vida eram desumanas, alguns prisioneiros faleceram. Outros revoltosos presos foram enviados para a Amazônia, onde deveriam prestar trabalhos forçados na produção de borracha.

O líder da revolta João Cândido foi expulso da Marinha e internado como louco no Hospital de Alienados. No ano de 1912, foi absolvido das acusações junto com outros marinheiros que participaram da revolta.

Conclu
são: podemos considerar a Revolta da Chibata como mais uma manifestação de insatisfação ocorrida no início da República. Embora pretendessem implantar um sistema político-econômico moderno no país, os republicanos trataram os problemas sociais como “casos de polícia”. Não havia negociação ou busca de soluções com entendimento. O governo quase sempre usou a força das armas para colocar fim às revoltas, greves e outras manifestações populares.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?

Incêndio que matou quase 130 operárias em uma fábrica de Nova York foi um marco, mas instituição da data é fruto de uma série de mobilizações que emergiram na virada do século 20

As histórias que remetem à criação do Dia Internacional da Mulher alimentam o imaginário de que a data teria surgido a partir de um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911, quando cerca de 130 operárias morreram carbonizadas. Sem dúvida, o incidente ocorrido em 25 de março daquele ano marcou a trajetória das lutas feministas ao longo do século 20, mas os eventos que levaram à criação da data são bem anteriores a este acontecimento.

Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.

O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.

Com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) eclodiram ainda mais protestos em todo o mundo. Mas foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário Juliano, adotado pela Rússia até então), quando aproximadamente 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na guerra - em um protesto conhecido como "Pão e Paz" - que a data consagrou-se, embora tenha sido oficializada como Dia Internacional da Mulher, apenas em 1921.

Somente mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977 o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.

"O 8 de março deve ser visto como momento de mobilização para a conquista de direitos e para discutir as discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado em diversos países", explica a professora Maria Célia Orlato Selem, mestre em Estudos Feministas pela Universidade de Brasília e doutoranda em História Cultural pela Universidade de Campinhas.

No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminina ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 30, que conseguiram o direito ao voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade entre os gêneros, a sexualidade e a saúde da mulher. Em 1982, o feminismo passou a manter um diálogo importante com o Estado, com a criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em São Paulo, e em 1985, com o aparecimento da primeira Delegacia Especializada da Mulher.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Momento do sentimento.

Do Silêncio

E porque minhas asas
me empurram para o vazio
é que sigo a direção
cujo caminho deconheço.
E se o desconheço é porque
talvez ele ainda nem se fez...
É só pó... por enquanto.
Como poderei fazer a partir de agora?
Como me sentir segura?
Um dia o caminho será estrada,
aberta, infinitamente longa para meu despertar.
Mas ainda assim, despertarei e silenciarei...
O silêncio falará por mim,
com retidão, o que até agora
não consegui com as palavras...
Estou certa de que não será como imaginei,
mas poderá conduzir-me de forma mais serena - ou quem sabe- covarde.
Aí, eles o dirão.
E nessa hora, o que importará
se o silêncio se fez presente?
Só os loucos sabem a verdade.
Eu acredito porque sou louca...
...
Eu ainda estou aqui...
à espera de uma certeza
que poderá nunca aparecer...
Não, não queira entender:
eu explico - ou jamais explicarei -
um dia, porém, em silêncio!
(Bernardete Ribeiro - 09/01/2011 - Para aqueles que me fizeram silenciar por não entenderem meu grito)

sexta-feira, 4 de março de 2011

De quem é a taça das bolinhas afinal de contas?

STJ valida medida que determina que São Paulo devolva Taça das Bolinhas. Impasse sobre troféu segue. Diretor do Tricolor diz que caso 'vai demorar'. Dirigente do Fla afirma que rival pode cometer crime de desobediência

Dois dias depois de conseguir uma decisão favorável na Justiça na disputa pela Taça das Bolinhas, o São Paulo sofreu um revés na tentativa de manter o troféu. E o impasse sobre o destino do troféu permanece. Nesta quinta-feira, dia 03 de março, a ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu que a medida cautelar determinada pelo juiz da 50ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Gustavo Quintanilha Telles de Menezes, segue válida. Na semana passada, o magistrado decidiu que o clube paulista tem que devolver o troféu para a Caixa Econômica Federal (CEF).

A ministra Isabel Gallotti rejeitou a suspensão da ação, solicitada pelo clube paulista. Segundo a ministra, o São Paulo "busca reformar a liminar na medida cautelar em trâmite no Rio de Janeiro, o que torna incabível a reclamação", segundo o site do STJ.

Cada lado conta com uma decisão favorável na Justiça. Na noite da última terça-feira, o juiz Marcelo Mesquita Saraiva, da 15ª Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo, julgou ação de manutenção de posse apresentada pela diretoria do Tricolor Paulista e decidiu que o troféu deveria permanecer com o clube até o término da discussão.

Já a ação na Justiça do Rio foi movida pelo Flamengo, que teve o título de 1987 reconhecido pela CBF e deseja a posse da taça, destinada ao primeiro pentacampeão brasileiro. O troféu foi entregue ao São Paulo pela Caixa uma semana antes da Confederação Brasileira de Futebol considerar que o Fla também é campeão de 87.

- A decisão do STJ prestigia a decisão tomada no Rio de Janeiro. Por enquanto, a taça vai para a Caixa. O São Paulo terá de devolvê-la sob pena de ser enquadrado na prática do crime de desobediência. Aí é um descumprimento deliberado – disse o vice jurídico do Flamengo, Rafael de Piro.

Já o diretor jurídico do São Paulo, Kalil Rocha Abdalla, considera que o caso ainda "vai demorar".

- Na verdade, (ela) não está mandando devolver. Isso vai demorar ainda. Não está entrando no mérito da ação. Ela diz que uma ação é válida, mas não diz que a outra está inválida. Isso provavelmente vai ocasionar um conflito de competência. O processo em si, daqui de São Paulo ou do Rio, ainda ninguém contestou. Nem de um lado, nem do outro a questão está decidida. O que há são duas liminares - disse Abdalla, acrescentando que o clube paulista não tomará qualquer medida por enquanto.

No mesmo dia em que o São Paulo consegue a decisão na Justiça paulista que permite ao clube manter o símbolo, o departamento jurídico do Flamengo ingressou na Justiça com um pedido de alteração da ação original. Já que foi reconhecido pela CBF como campeão de 87, juntamente com o Sport, o Rubro-Negro quer que a Taça das Bolinhas saia do Morumbi e vá direto para a Gávea, sem passar pela CEF.

E você, que assistiu, acompanhou os jogos dos dois módulos da copa união de 1987, o que acha dessas variações de decisão e interpretação do que estava acordado e depois fora desacordado pela entidade "máxima" do futebol brasileiro? Dê sua opinião, esse espaço é reservado para você.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Aula de imperialismo contemporâneo

Emir Sader

Os EUA se tornaram uma potência imperial na disputa pela sucessão da Inglaterra como potência hegemônica, com a Alemanha. As duas guerras mundiais – tipicamente guerras interimperialistas, pela repartição do mundo colonial entre as grandes potências, conforme a certeira previsão de Lenin – definiram a hegemonia norteamericana à cabeça do bloco de forças imperialistas.

No final da Segunda Guerra, os EUA tiveram que compartilhar o mundo com a URSS – a outra superpotência, não por seu pod
erio econômico, mas militar, que lhe dava uma paridade política. Foi o período denominado de “guerra fria”, que condicionava todos os conflitos em qualquer zona do mundo, que terminavam redefinidos no seu sentido no marco do enfrentamento entre os dois grandes blocos que dominavam a cena mundial.

Nesse período os EUA con
solidaram seu poderio como gendarme mundial, poder imperial que tinha se iniciado na América Latina e o Caribe e que se estendeu pela Europa, Asia e Africa. Invasões, ocupações, golpes militares, ditaduras – marcaram a trajetória imperial norteamericana. Montaram o mais gigantesco aparelho de contra inteligência, acoplado a um monstruoso aparato militar.

Terminada a guerra fria, com a desaparição de um dos campos e a vitória do outro, esses mecanismos não foram d
esmontados. A OTAN, nascida supostamente para deter o “expansionismo soviético”, não foi desmontada, mas reciclada para combater os novos inimigos: o “terrorismo”, o “islamismo”, o “narcotráfico”, etc.

Os d
ocumentos publicados confirmam tudo o que os aparentemente paranoicos difundiam sobre os planos e as ações dos EUA no mundo. Eles são a única potência global, aquela que tem interesses em qualquer parte do mundo e, se não os tem, os cria. Que pretende zelar pela ordem norteamericana no mundo, a todo preço – com ameaças, ataques, difusão de noticias falsas, ocupações, etc., etc.


Qualquer compreensão do mundo contemporâneo que não leve em conta, como fator central, a hegemonia imperial norteamericana não capta o essencial das relações de poder que regem o mundo. A leitura dos documentos é uma aula sobre o imperialismo contemporâneo.


Dia Internacional Contra a Discriminação Racial!

Hoje Dia Internacional contra a Discriminação Racial.  Num momento em que vivemos ataques raciais diários em nosso país e em todo mundo...